É preciso não esquecer nada:
nem a torneira aberta nem o fogo aceso,
nem o sorriso para os infelizes
nem a oração de cada instante.
É preciso não esquecer de ver a nova borboleta
nem o céu de sempre.
O que é preciso é esquecer o nosso rosto,
o nosso nome, o som da nossa voz, o ritmo do nosso pulso.
O que é preciso esquecer é o dia carregado de atos,
a idéia de recompensa e de glória.
O que é preciso é ser como se já não fôssemos,
vigiados pelos próprios olhos severos conosco,
pois o resto não nos pertence.
Nota leia
Att:UéL Moderador
ORDEM ALFABETICA
- A arte de ser feliz (1)
- A Chuva Chove (1)
- A cor da lágrima (1)
- A Criança (1)
- A esperança (1)
- A folha (1)
- A que está sempre alegre (1)
- A Rua dos Cataventos (1)
- A vida ao redor de si mesma (1)
- A voz de amigo (1)
- Abraçar (1)
- Adormecida (1)
- Ainda que mal (1)
- Alegria (2)
- Algumas homenagens (1)
- Alma errada (1)
- Amar sem mentir (1)
- Amar.... (1)
- Amigos para sempre (1)
- Amizade (1)
- Amor (2)
- Amor é síntese (1)
- Amor ideal (1)
- Apenas um lembrete (1)
- Aqui Está minha Vida (1)
- As Mãos de Meu Pai por Mario Quintana (1)
- As sem-razões do amor (1)
- Astrologia (1)
- Atitude (1)
- Bateu a porta... (1)
- Biografia (1)
- Bons amigos (1)
- Caminho (1)
- Canção do dia de sempre (1)
- Canção do fundo do tempo (1)
- Canção dos romances perdidos (1)
- Canção para uma valsa lenta (1)
- Certa vez (1)
- Chapéu violeta (1)
- Cigana (1)
- Coisas Incríveis no Céu e na Terra (1)
- Coisas que eu sinto (1)
- Confissão (1)
- Conversa Fiada (1)
- Da Observação (1)
- Das falsas posições (1)
- Deficiências (1)
- Deixe-me seguir para o mar (1)
- Depois do Sol... (1)
- Desacreditada (1)
- Desejo por você (1)
- Dia de chuva (1)
- Do amoroso esquecimento (1)
- Doce mente (1)
- Dos milagres (1)
- É Preciso Não Esquecer Nada (1)
- Elogio Desconstrutivo (1)
- Embalos da vida (1)
- Era um lugar (1)
- Escolha (1)
- Escrito nas estrelas (1)
- Estive procurando você (1)
- Eterno (1)
- Eu escrevi um poema triste (1)
- Eu faço versos (1)
- Eu fiz um poema (1)
- Eu ouço música (1)
- Eu queria trazer-te uns versos muito lindos (1)
- Eu sei que vou te amar (1)
- Eu vi (1)
- Flor (1)
- Gargalhada (1)
- Garoto (1)
- Gesso (1)
- Hoje não havia você (1)
- Idéias Íntimas (1)
- Idéias Íntimas II (1)
- Idéias Íntimas III (1)
- Idéias Íntimas IV (1)
- Idéias Íntimas V (1)
- In-Coerência (1)
- Incertezas (1)
- Indiferente Coração (1)
- Indivisíveis (1)
- Inesquecível (1)
- Inscrição para um portão de cemitério (1)
- Inscrição para uma lareira (1)
- Insensata (1)
- Interlúdio (1)
- Já Não Te Entendo (1)
- Jardim interior (1)
- Karma (1)
- Lágrimas (1)
- Liberdade (1)
- Me decepcionei (1)
- Me diz (1)
- Metade (1)
- Meu amor (1)
- Meu conto de fadas (1)
- Meu segredo (1)
- Monumento (1)
- Muitos amores (1)
- Mulher Perfeita (1)
- Nada como o tempo (1)
- Não sei (1)
- Nossa amizade (1)
- Noturno (1)
- O amanhã (1)
- O amor (1)
- O amor eterno (1)
- O Anjo da escada (1)
- O auto-retrato (1)
- O autor por si mesmo (1)
- O mapa (1)
- O menino louco (1)
- O morto (1)
- O nada (1)
- O que o vento não levou (1)
- O silêncio (1)
- O tempo é (1)
- O Velho do Espelho (1)
- O velho ea flor (1)
- Obras (1)
- Odeio-me por te amar (1)
- Olho as Minhas Mãos (1)
- Oposto (1)
- Os degraus (1)
- Os poemas (1)
- Os relógios (1)
- Os rios (1)
- Os ventos (1)
- Paz e harmonia (1)
- Pedra de calcutá (1)
- Pensamentos (1)
- Perco-me (1)
- Perdido de amor (1)
- Pergunte (1)
- Pode ser (1)
- Poema a mãe (1)
- Poema do Contra (1)
- Por esse amor (1)
- Presença (1)
- Quando a noite cai (1)
- Quando bate o coração (1)
- Que assim seja a primavera (1)
- que é tudo... (1)
- Quem sabe um dia (1)
- Quero (1)
- Quero saber (1)
- Quero você (1)
- Recordo ainda... (1)
- Saudades de você (1)
- Se eu fosse um padre (1)
- Se eu soubesse... (1)
- Se o poeta falar num gato (1)
- Segue teu destino (1)
- Seiscentos e sesenta e seis (1)
- Sem comentários (1)
- Sem discriminação (1)
- Sem razões do amor (1)
- Sem ti (1)
- Sentimento (1)
- Sentimento inesquecível (1)
- Sentir (1)
- Ser sua namorada... (1)
- Seriam elas... (1)
- Só Você (1)
- Solidão (1)
- Somente um olhar... (1)
- Soneto Azul (1)
- Suas Mãos (1)
- Súplica (1)
- Tão linda e serena e bela (1)
- Três quadros (1)
- Tristeza sem você (1)
- Um anjo (1)
- Um beijo (1)
- Um coração... (1)
- Um dia (1)
- Um grande amor (1)
- Um sonho (1)
- Uma flor pra você (1)
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- Vidas (1)
- Vivendo sem você (1)
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Fez-se noite com tal mistério,
Tão sem rumor, tão devagar,
Que o crepúsculo é como um luar
Iluminando um cemitério...
Tudo imóvel... Serenidades...
Que tristeza, nos sonhos meus!
E quanto choro e quanto adeus
Neste mar de infelicidades!
Oh! Paisagens minhas de antanho...
Velhas, velhas... Nem vivem mais...
- As nuvens passam desiguais,
Com sonolência de rebanho...
Seres e coisas vão-se embora...
E, na auréola triste do luar,
Anda a lua, tão devagar,
Que parece Nossa Senhora
Pelos silêncios a sonhar...
Uma noite, eu me lembro... Ela dormia
Numa rede encostada molemente...
Quase aberto o roupão... solto o cabelo
E o pé descalço do tapete rente.
'Stava aberta a janela. Um cheiro agreste
Exalavam as silvas da campina...
E ao longe, num pedaço do horizonte,
Via-se a noite plácida e divina.
De um jasmineiro os galhos encurvados,
Indiscretos entravam pela sala,
E de leve oscilando ao tom das auras,
Iam na face trêmulos — beijá-la.
Era um quadro celeste!... A cada afago
Mesmo em sonhos a moça estremecia...
Quando ela serenava... a flor beijava-a...
Quando ela ia beijar-lhe... a flor fugia...
Dir-se-ia que naquele doce instante
Brincavam duas cândidas crianças...
A brisa, que agitava as folhas verdes,
Fazia-lhe ondear as negras tranças!
E o ramo ora chegava ora afastava-se...
Mas quando a via despeitada a meio,
P'ra não zangá-la... sacudia alegre
Uma chuva de pétalas no seio...
Eu, fitando esta cena, repetia
Naquela noite lânguida e sentida:
"Ó flor! — tu és a virgem das campinas!
"Virgem! — tu és a flor da minha vida!..."
Enchi o meu salão de mil figuras.
Aqui voa um cavalo no galope,
Um roxo dominó as costas volta
A um cavaleiro de alemães bigodes,
Um preto beberrão sobre uma pipa,
Aos grossos beiços a garrafa aperta. . .
Ao longo das paredes se derramam
Extintas inscrições de versos mortos,
E mortos ao nascer. . . Ali na alcova
Em águas negras se levanta a ilha
Romântica, sombria à flor das ondas
De um rio que se perde na floresta. . .
Um sonho de mancebo e de poeta,
El?Dorado de amor que a mente cria
Como um Éden de noites deleitosas....
Era ali que eu podia no silêncio
Junto de um anjo. . . Além o romantismo!
Borra adiante folgaz caricatura
Com tinta de escrever e pó vermelho
A gorda face, o volumoso abdômen,
E a grossa penca do nariz purpúreo
Do alegre vendilhão entre botelhas
Metido num tonel... Na minha cômoda
Meio encerado o copo inda verbera
As águas d'oiro do Cognac fogoso.
Negreja ao pé narcótica botelha
Que da essência de flores de laranja
Guarda o licor que nectariza os nervos.
Ali mistura?se o charuto Havano
Ao mesquinho cigarro e ao meu cachimbo.
A mesa escura cambaleia ao peso
Do titânio Digesto, e ao lado dele
Childe Harold entreaberto ou Lamartine.
Mostra que o romanismo se descuida
E que a poesia sobrenada sempre
Ao pesadelo clássico do estudo.
Minha esperança perdeu seu nome...
Fechei meu sonho, para chamá-la.
A tristeza transfigurou-me
como o luar que entra numa sala.
O último passo do destino
parará sem forma funesta,
e a noite oscilará como um dourado sino
derramando flores de festa.
Meus olhos estarão sobre espelhos, pensando
nos caminhos que existem dentro das coisas transparentes.
E um campo de estrelas irá brotando
atrás das lembranças ardentes.
Aqui está minha vida - esta areia tão clara
com desenhos de andar dedicados ao vento.
Aqui está minha voz - esta concha vazia,
sombra de som curtindo o seu próprio lamento.
Aqui está minha dor - este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança - este mar solitário,
que de um lado era amor e, do outro, esquecimento.
A chuva chove mansamente... como um sono
Que tranqüilize, pacifique, resserene...
A chuva chove mansamente... Que abandono!
A chuva é a música de um poema de Verlaine...
E vem-me o sonho de uma véspera solene,
Em certo paço, já sem data e já sem dono...
Véspera triste como a noite, que envenene
... Num velho paço, muito longe, em terra estranha,
Com muita névoa pelos ombros da montanha...
Paço de imensos corredores espectrais,
Onde murmurem, velhos órgãos, árias mortas,
Enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
Revira in-fólios, cancioneiros e missais...