Mario Quintana

"Todos estes que ai estão atravacando meu caminho,eles passarão,eu passarinho"

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Todos os jardins deviam ser fechados,com altos muros de um cinza muito pálido,onde uma fonte pudesse cantarsozinhaentre o vermelho dos cravos.O que mata um jardim não é mesmo alguma ausência nem o abandono...O que mata um jardim é esse olhar vazio de quem por eles passa indiferente. (Mario Quintana)

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Eu agora - que desfecho Já nem penso mais em ti Mas será que nunca deixo De lembrar que te esqueci? (Mário Quintana)

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Tão lenta e serena e bela e majestosa [vai passando a vaca ] Que, se fora na manhã dos tempos, de rosas a coroaria A vaca natural e simples como a primeira canção A vaca, se cantasse,Que cantaria?Nada de óperas, que ela não é dessas, não!Cantaria o gosto dos arroios bebidos de madrugada,Tão diferente do gosto de pedra do meio-dia!Cantaria o cheiro dos trevos machucados.Ou, quando muito,A longa, misteriosa vibração dos alambrados...Mas nada de superaviões, tratores, êmbolos (Mário Quintana)

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O meu amor, o meu amor, Maria É como um fio telegráfico da estrada Aonde vêm pousar as andorinhas...De vez em quando chega uma E canta(Não sei se as andorinhas cantam, mas vá lá!)Canta e vai-se embora Outra, nem isso,Mal chega, vai-se embora.A última que passou Limitou-se a fazer cocô No meu pobre fio de vida! No entanto, Maria, o meu amor é sempre o mesmo:As andorinhas é que mudam. (Mario Quintana)

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"Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata.."(Mario Quintana)

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Com a pele do leão vestiu-se o burro um dia.Porém no seu encalço, a cada instante e hora,"Olha o burro! Fiau Fiau!" gritava a bicharia...Tinha o parvo esquecido as orelhas de fora! (Mario Quintana)